Sobre mergulhar na escuridão (e tentar vir à tona)

Há algum tempo percebi meu desânimo crescente, minha indisposição anêmica, minha alegria de viver esvaída. Internamente me perguntei sobre uma possível depressão, mas o fato é que essa é uma condição difícil e vergonhosa demais de admitir, tanto para si mesmo quanto para os outros.

As coisas foram acontecendo, meu estado de humor se deteriorando até que ficou pesado demais carregar sozinha. Resolvi voltar a contar com ajuda do meu terapeuta, mesmo não sendo algo que neste momento eu pudesse pagar com folga. Melhorou, mas depois piorou mais.

Eu diminuí muito a frequência das minhas postagens. A gente sabe que rede social é lugar de gente feliz, e eu não conseguia simplesmente postar uma foto bacana pra depois que o celular desligasse eu voltasse a ser a pessoa que estava sendo.

O auge da dor pra mim veio numa declaração do meu marido, que mexeu muito comigo: “você não sorri mais”. E realmente, eu não sorria mais. Todas as vezes que tentava fazê-lo, conscientemente, era falso, não tinha vontade. Isso me desesperou, e eu achei que era a hora de buscar ajuda talvez num anti-depressivo, e sair desse estado em que eu tinha chegado.

Depois desse clímax sentimental, tive uma sessão de terapia muito dolorosa e transformadora. Como disse meu terapeuta, eu havia chegado à sensação de falência, e nunca uma palavra foi tão completa pra descrever meus sentimentos. Combinamos de tentar sair dessa sem remédio, o que num primeiro momento me pareceu impossível, mas hoje parece factível.

Em resumo, eu estou num processo. Sinto uma melhora grande, mas não me sinto curada ainda, e acho que o caminho até a cura será longo. Pra eu me tornar a pessoa que sou hoje, com todos os defeitos e qualidades, foi um caminho de uma vida inteira. Não adianta querer que o caminho inverso seja curto e fácil.

Racionalizar e escrever são coisas que tem um poder grande de dividir o peso que carrego, então tomei a decisão de escrever algumas reflexões sobre meu processo psicológico, e aproveitar pra voltar a ter uma rotina mais ativa no blog, retomando também os assuntos mais leves e bacanas. Demorou uns dias pra eu conseguir encontrar ânimo pra esse primeiro post, mas cá estou.

Pra concluir, gostaria de dividir algumas lições desse encontro com a minha sombra:

  1. Eu tenho a força. E falo isso sem modéstia alguma. Talvez por ser sempre muito racional, eu consegui investigar e me perceber numa situação complicada com alguma facilidade. Me arrastei em vitimização e autodepreciação por um bom tempo, mas eu soube entender e respeitar o meu limite. Não gosto de reclamar, e perceber que eu me tornei a pessoa que está sofrendo 100% do tempo me incomodou muito. Meus problemas são complexos, mas a minha vontade de retornar desse mergulho no escuro é maior do que eles. E tenho muito orgulho de não ter adentrado um caminho autodestrutivo, continuo tendo pavor de drogas e outras fugas, e nunca nem flertei com o suicídio.
  2. Depressão é ainda mais difícil do que a gente imagina. Eu tive, e ainda tenho muita dificuldade em me assumir dentro de um estado depressivo. É quase como se fosse uma não crença na depressão enquanto doença, misturada a uma vergonha de admitir. Mas muito, muito mais, por medo do julgamento alheio. Sempre tendemos a minimizar a depressão, colocando-a como uma tristezinha, uma fase que vai passar. Em muitas situações eu até tentei me assumir num estado depressivo, mas perante as reações de algumas pessoas, eu me fechei. Em muitas ocasiões, eu fui a pessoa a não ter empatia com o problema do outro.
  3. Terapia não é frescura. Hoje vejo muita gente recorrendo a coaching, terapias espirituais etc pra resolver seus problemas, mas acho desonesto delegar pra Deus e pro mundo espiritual a sua própria cura. É muito fácil ter charlatão nessas áreas, a pessoa vai lá, faz um curso de fim de semana e promete curar todos os seus males. Fora que eu acho que isso é retirar de si a responsabilidade pelo problema. O psicólogo, além de ser um profissional, que estuda muitos anos pra isso, te conduz num encontro com você mesmo, o que é mais doloroso, mas é muito, infinitamente mais curador. Eu não sou contra terapias complementares, sou reikiana, já fiz sessão de hipnose, theta healing, recebi passe e gosto de contar com o apoio das minhas egrégoras, mas a sombra está aqui dentro da gente, e o psicólogo é quem pode orientar esse encontro, balizado pela ciência.
  4. Pedir ajuda é importante, mas a gente precisa fazer a nossa parte. Cura não é algo que cai no nosso colo. Por mais difícil que seja, existe uma parcela de esforço próprio. Tem muito palpiteiro à nossa volta, mas também tem muita gente querendo ajudar. Não podemos ser a pessoa que vê dificuldade em tudo, que não tem dinheiro pra terapia, mas que não se movimenta pra buscar atendimento gratuito, que cobra empatia dos outros o tempo todo, mas que não percebe que mesmo quem tenta ajudar uma hora cansa de tanta lamentação sem atitude.

É isso. Até a próxima, um dia por vez, cada vez melhor. =)

Os melhores links da semana (29/52)

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Um compilado das minhas melhores leituras da semana, organizado por temas.

Viagens

Um guia completo para desfrutar da Cachoeira Santa Bárbara, na Chapada dos Veadeiros: http://www.dentrodomochilao.com/2016/07/cachoeira-santa-barbara/

Filhos

Uma reflexão bem pesada e foda sobre como impomos a ideologia do “adultismo” às crianças, e como isso pode ser opressor: https://larmontessori.com/2016/07/11/adultismo-e-montessori/

Cozinha

Ainda não testei, mas tô doida pra provar essa receita de petit gateau de doce de leite: http://technicolorkitchen.blogspot.com.br/2016/07/petit-gateau-de-doce-de-leite-uma.html

Outras coisas

11 atividades online melhores do que ver a timeline do Facebook (só pra gente lembrar quem é que manda aqui): http://www.meutedio.com.br/2016/07/11-atividades-melhores-que-ver-timeline-facebook.html

Um planner de refeições que eu queria muito comprar, mas agora não posso (mas vai que rola alguém me dar de presente, né?): http://www.academiacraft.com/planner-de-refeicoes-a-craft/

Os mistérios que rondam a Virgem de Guadalupe, padroeira do México (CARALHO, VELHO!): http://www.mundogump.com.br/o-misterio-da-virgem-de-guadalupe/

Revisão de meio de ano

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Quase um mês depois do meio do ano, é verdade, mas eu precisava botar essa revisão pra fora em forma de texto, porque 2016 tem sido um daqueles anos em que as coisas mudam praticamente todo mês. Observando o meu planner do ano, pude perceber como as coisas mudaram tanto e tão rápido, em meio ano apenas.

2016 começou sem muitas novidades, estávamos de férias viajando e eu pretendia ver o que faria da minha vida quando voltássemos, sendo que a ideia inicial era pegar pesado com a Doce Nostalgia, ao mesmo tempo em que eu ia levando minha vida pacata de mãe e dona de casa.

Os meses se passaram, eu não consegui investir nos doces da forma como gostaria e me vi numa situação em que pude perceber que ser “apenas” mãe e dona de casa (como se isso fosse pouco, né?) não seria suficiente pra mim. Eu precisava de alguma maneira reassumir o meu protagonismo profissional, e arranjar algo que me fizesse sentir inteira de novo.

Olhando pra trás hoje, eu acho que o que eu queria na verdade era criar um espaço onde eu pudesse ser algo além de mãe, ou até mesmo que eu pudesse não ser mãe. Foi complicado, porque não tinha nenhuma intenção de voltar pra agência, e ser planner. É um compromisso de vida pra mim ter uma rotina menos pesada, mas eu precisava começar de algum lugar.

Foi quando decidi retornar ao mercado como produtora de conteúdo. Parecia uma ideia meio doida, mas eu fui lá e tentei. Eu diria que foi uma decisão bastante acertada, porque tenho trabalhado de casa, voltei a ter renda e me sinto bastante feliz com o que faço. Não tenho mais o peso de liderar equipes, ou de ter uma carga horária que vai além dos meus limites. E escrever é um trabalho que me causa muito prazer.

Eu diria que me achei de novo na minha carreira. Trabalhar tem me permitido exercitar a mente, e também tem me permitido aquela folguinha de ser mãe que eu precisava tanto. Há pouco mais de um mês, João está com uma babá por meio período, que ele adora e tem ajudado muito no desenvolvimento dele.

Só isso já foi o bastante pra me fazer evoluir. Eu tinha retomado outros planos, como a Doce Nostalgia, e desenhado outros novos, mas nessa última semana tive que parar, respirar e redesenhar tudo, em virtude dos recentes acontecimentos, que serão assunto pra um post novo em breve.

Até agora, a maior lição de 2016 tem sido a de que tudo se ajeita. Eu consegui um jeitinho de voltar a trabalhar, e ao mesmo tempo, poder estar em casa com João. Desacelerei bastante e sinto que foi a melhor coisa que fiz na vida. Às vezes a ansiedade aumenta, e se eu não me controlar, começo a me distanciar do projeto de vida que escolhi pra mim.

E é por isso que essas reflexões são tão importantes, porque elas ajudam a gente a ver o lado bom, e os aprendizados de tudo que passamos ao longo do ano. Espero chegar ao fim de 2016 com as coisas ainda mais em ordem e desaceleradas do que estão agora, e confesso que vou ficar feliz se eu não precisar alterar tanto os meus planos como precisei fazer nesses últimos meses. É esperar pra ver.

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