Hoje, dia em que escrevo esse post, foi justamente o dia que terminei todo o processo de faxina e destralhamento na casa. Se eu não atingi a meta de me livrar da metade do que eu tinha, cheguei pelo menos perto. Dá um gosto danado, e ver que tudo o que é essencial pra você cabe num espaço pequeno, e tudo o que está à volta respira, areja. É assim que sinto minha vida hoje. Bem assim, como as minhas coisas.

Eu tenho os meus rituais de fim de ano: sempre medito e abro o tarot pra tirar uma carta “madrinha” do ano seguinte, e sempre escrevo uma carta para mim mesma, que só abro no dia em que escrevo a minha retrospectiva do ano. Em 2014, pela primeira vez desde que adotei esses rituais há 3 anos, me perdi: sumi a carta que eu deveria ter aberto hoje e esse ano vou ficar sem saber exatamente quais eram as minhas perspectivas e planos, mas ainda assim cabe aqui uma reflexão interessante. É preciso voltar no momento da minha retrospectiva de 2013.

retrospectiva

Imagem: Mommynoire.com

Em Dezembro/2013 eu estava tecnicamente desempregada: tinha sido exonerada do meu cargo no Governo do Distrito Federal e estava fazendo freela para a agência em que trabalho atualmente, mas ainda não estava certa minha contratação. Tinha também acabado de defender minha tese de mestrado, fato que pôs um ponto final a dois anos e meio de muita tensão. Eu estava mais ou menos tranquila, querendo apenas concluir meu freela e descansar, após 4 anos sem férias.

Estava, portanto, leve e disposta a levar um 2014 tranquilo. A maior parte das mudanças que eu ansiava tinha a ver com uma vida mais tranquila e uma rotina que não me levasse sempre ao extremo do emocional. Vieram as férias, o descanso, e finalmente recarreguei as energias do jeito que eu gosto: no meio do mato, fazendo trilha, descendo pra praia, revendo amigos queridos, tudo bem simples, de busão, de carona, conhecendo gente e aproveitando pra ficar sozinha e me entender comigo mesma.

Fevereiro chegou e eu fui de fato contratada pela agência e encarei o desafio de voltar a gerenciar uma equipe, num mercado que não me era tão familiar. Tudo acabou se desenrolando bem, e eu estava cheia de pique e de vontade de me mostrar uma boa profissional. O ano foi passando e eu estava levando tudo da maneira como pretendia, foco no trabalho, e o restante meio relax. Na verdade, até relax demais. Muitas coisas eu fui adiando e em determinados momentos, relaxei completamente.

Chegou Junho, a Copa e o oba-oba se instaurou de vez. Eu sou couchsurfer e hospedei gente de tudo quanto é lugar do mundo. Foi uma experiência muito rica, culturalmente falando. Viver uma Copa do Mundo no Brasil me trouxe uma nova perspectiva sobre o futebol, e transformou algo que eu sempre achei sem graça num objeto de interesse. Mas tudo que é bom (e que é ruim também) acaba, e a Copa foi embora.

De Julho e Agosto em diante, o trabalho começou a pesar mais e eu comecei a ficar um pouco ansiosa por já ter passado a metade do ano e eu não ter feito nada de muito significativo, ou cumprido muitas das minhas metas. Em Setembro, veio a descoberta da gravidez: foram duas semanas iniciais muito conturbadas e intensas, mas que me ensinaram o grande valor do amor das pessoas queridas em nossa vida: mesmo no momento de maior medo, eu nunca me senti desamparada, porque sempre tinha alguém para me dar apoio.

Olhando para trás, nesse momento de descoberta, a questão financeira e o receio de não ter o reconhecimento do pai do meu filho eram meus maiores temores. O segundo ponto se resolveu maravilhosamente bem. Não quero me estender nesse tópico, mas não estamos juntos, e nem nunca estivemos na verdade. Isso porém nunca foi um impeditivo para que nós dois nos adequássemos à novidade com muita amizade e respeito um pelo outro. A questão financeira acho que nunca deixará de ser uma preocupação, mas é o tipo de coisa que sempre se dá um jeito.

Descobrir que eu seria mãe recolocou minha vida nos trilhos: foi uma espécie de renascimento. Todas as decisões, planos e atitudes que eu protelei por um ano inteiro, eu realizei entre Setembro e Dezembro, principalmente minha grande meta do ano, que era remediar a minha vida financeira. Fiz um post anterior falando sobre o assunto, mas confesso que até hoje ainda fico impressionada com o quanto consegui de vitórias nessa área.

No fim do ano resolvi também me mudar de apartamento, coisa que farei em Fevereiro de 2015. Já tenho uma série de coisas encaixotadas e até o momento, tudo está se saindo muito bem, estou fazendo as coisas com calma. Não realizei este ano duas viagens que tinha programadas: passar o Dia dos Mortos no México e o Ano-Novo em Nova York, mas foi opção minha desistir. No fim das contas, acabou sendo melhor repriorizar o uso do dinheiro, e nos próximos anos, poderei viajar acompanhada do meu filhote, com certeza será bem melhor!

Por fim, por mais drástica que tenha sido a novidade da gravidez em 2014, foi um ano calmo e feliz. Eu descansei, aproveitei, aprendi muito e amadureci, e chego nos últimos dias do ano com uma sensação de missão cumprida que eu não sinto há nem me lembro quanto tempo. Decidi ser mais firme e rigorosa com meu planejamento e organização pessoais, e já estou colhendo ótimos frutos. Sinto que a maioria dos campos importantes da minha vida chegam plenos e desenvolvidos ao fim desse ciclo.

Claro, ficam lacunas. Sempre vivi entre a cruz e a espada no que tange à minha carreira. Gosto da publicidade, mas nunca concordei com como funciona o mercado e o ritmo de trabalho. Me considero uma boa profissional, mas sempre à custa de muito desgaste. E isso me leva de tempos em tempos a questionar até quando vou aguentar ou escolher ter uma carreira que dita as regras do meu tempo. Eu já desisti, já voltei atrás, já tentei levar junto com outra coisa mais leve, mas nunca de fato encontrei a saída para a minha crise.

Termino o ano meio perdida nessa área, e sem ter uma perspectiva muito clara sobre o futuro. Acredito em recomeços e acredito também nos meus talentos e vocações, seja com publicidade, seja em outras áreas. Uma das metas para 2015 é chegar ao fim do ano com uma trajetória profissional mais clara na cabeça, e sei que provavelmente será a mais difícil de cumprir, porque exige uma dose bem grande de coragem e honestidade comigo mesma, para conseguir enfrentar os medos e as dificuldades. Mas estou confiante, porque acredito que o desejo sincero de resolução é o primeiro (e importante!) passo para uma mudança de fato.

Mesmo com os problemas e dificuldades, porém, não reclamo. Esse foi um lema pessoal esse ano: evitar reclamar. Situações ruins acontecem, seja azar, descuido ou até consentimento nosso. Aceitar e abraçar situações ruins nos faz pessoas muito mais fortes, e a cada dificuldade superada, o grande desafio que fica é que tudo passa. Mais cedo ou mais tarde. Em alguns momentos foi inevitável, mas sempre que eu pensava em reclamar, procurei focar nas coisas positivas, e agradecer pelas diversas outras coisas que tenho.

No fim das contas, pelo bom e pelo ruim, sou imensamente grata ao ano de 2014. À minha família, aos meus amigos queridos, à minha irmandade da Teia de Thea, e a toda e qualquer pessoa que sempre tenha me ouvido, me ajudado ou simplesmente tolerado meu jeito sempre ranzinza e rígido, e que tenha me permitido ser parte de sua vida. Um ano positivo se faz de organização, disciplina, honestidade, fé e dedicação. Foi meu grande aprendizado, e espero que em 2015 se amplie e me faça conquistar todas as minhas metas. :)

Feliz 2015 pra todos!