Não estamos falando de meteorologia, então não adianta conferir pela janela. Falo do tempo chronus, esse do qual andamos sentindo tanta falta. Ultimamente a impressão que tenho é que todo mundo faz mais do que dá conta, ou se não faz, imerge de tal forma em seus afazeres que se esquece do restante. Seja naquele relatório ao qual você se dedicou muito mais que o previsto, seja naquele livro que você adia há meses pra começar a ler.

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Reclamar da falta de tempo virou lugar comum em nossas rotinas, principalmente com o fim de ano chegando. E isso afeta consideravelmente a forma como lidamos com nossas questões e mantemos o nosso equilíbrio. Todo mundo se identifica em maior ou menor grau com aquele sujeito cujos ombros vão pesando com o passar do ano, que precisa pegar dois ou três freelas a mais pra conseguir sanar as dívidas e que no fim das contas acaba se embananando em prazos e stress. “No fim do ano eu descanso”, impera o pensamento padrão.

Seria muito simplório da minha parte, sendo eu mesma uma dessas pessoas que vivem sem tempo, dizer que a gente precisa desacelerar. A minha pergunta é: dá pra desacelerar? Talvez sim, talvez não, é tudo uma questão de prioridade. Desacelerar pode significar abrir mão de projetos, ou aprender a viver com menos dinheiro, ou ainda, ser parcialmente esquecido no mercado. Cabe a cada um decidir, e é importante pensar que não dá pra ter ou ser tudo ao mesmo tempo. Assim, desacelerar faz um bem danado pra saúde.

Ou dá pra se organizar melhor. Funciona muito bem e existe uma série de métodos pra ajudar nisso. Um dos preceitos importantes para se organizar diz respeito a considerar o próprio lazer como uma “tarefa” a ser cumprida. E assim como seu trabalho tem hora pra começar e terminar, o tempo dedicado ao riso, à alegria, ao lúdico, canto, dança, enfim, prover prazer à anima, também deve ser tratado desta forma.

A reflexão que eu gostaria de suscitar com este post diz respeito a um ponto básico em organização. Se organizar não fará de ninguém um super-herói instantâneo. Vai ajudar pra caramba, mas pode não resolver todos os seus problemas. Muito de se tornar uma pessoa organizada está em aprender a lidar com a angústia do fato de que nem tudo será feito conforme pretendido. E dá-lhe paciência.

Como agir então?

Depois de estabelecer as rotinas de organização, um dos grandes desafios é manter o centramento, para que a angústia de às vezes não conseguir fazer tudo se transforme em frustração. E pra que isso não aconteça, estabelecer prioridades é fundamental. Eu normalmente diferencio tarefas que precisam ser cumpridas a qualquer custo das que tem que ser cumpridas, mas se atolar, podem ficar pra amanhã. Tem dias que sai tudo, tem dias que sai só o que importa e tem dia que nem o que importa sai.

O que importa nisso tudo é que cada um busque em si a definição do que é útil, o que é necessário, e o que é vital. Enfim, o que importa para que de fato tenhamos uma concepção de tempo mais madura e menos frustrada.