Categoria: Pessoal

Sobre mergulhar na escuridão (e tentar vir à tona)

Há algum tempo percebi meu desânimo crescente, minha indisposição anêmica, minha alegria de viver esvaída. Internamente me perguntei sobre uma possível depressão, mas o fato é que essa é uma condição difícil e vergonhosa demais de admitir, tanto para si mesmo quanto para os outros.

As coisas foram acontecendo, meu estado de humor se deteriorando até que ficou pesado demais carregar sozinha. Resolvi voltar a contar com ajuda do meu terapeuta, mesmo não sendo algo que neste momento eu pudesse pagar com folga. Melhorou, mas depois piorou mais.

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Às vezes o saco enche

Hoje o João passou o dia quase inteiro no meu colo. Nas poucas vezes que fiquei com os braços livres eu estava fazendo coisas pra ele mesmo: fui ao supermercado comprar comida pra papinha, fiz a papinha, ou estava ocupada interagindo com outras pessoas.
Isso me causou uma irritação tremenda porque eu estava doida pra escrever. Me veio essa vontade maluca de escrever crônicas a partir de pequenos acontecimentos do meu dia e eu não consegui escrever nada ainda. Aliás, venho há meses não conseguindo escrever e perdendo momentos que poderiam render belos posts e memórias.
Mas hoje me veio um bode. Um meio que saco cheio de estar sempre deixando alguma coisa que eu quero muito fazer pra poder cuidar de neném. Quase uma vontade de deixar chorando e ignorar.
E a realidade mais uma vez bateu na porta: não importa o quanto meu saco esteja cheio, o João é um “problema” meu. No máximo meu e do pai, ou de quem estiver por perto ajudando nos cuidados. Eu até tento tramar umas pra ver se eu consigo uns tempinhos só pra mim mas acabo não sendo muito bem sucedida, ou sendo interrompida enquanto estou no sossego.
E eu sinto que já tá na hora de eu me resgatar, pra evitar que esses bodes sejam mais frequentes. É um processo, e certamente vai envolver algum stress, mas sinto que é algo que preciso fazer por mim.

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A difícil arte da presença

Eu escrevi e apaguei esse post duas vezes. E percebi que estou cansada demais para me explicar. E que mesmo querendo, eu não preciso. Mas eu preciso me expressar. Preciso encontrar um pontinho de luz, alguma mudinha em mim que eu consiga fazer brilhar, sem me cansar.

A relação entre mim e João é a coisa mais intensa, dúbia e louca que eu já vivi. A cada dia aprendo que eu preciso desacelerar, mas ao mesmo tempo, eu preciso encontrar um tempo e um espaço que sejam meus, para me manter de pé nessa jornada. Entendendo isso, eu me perdôo pelas minhas angústias e pensamentos.

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