Esse ano uma das minhas metas é dar cor e forma a projetos de conteúdo que eu venho amadurecendo há algum tempo. Agora que eu vivo disso, acho justo. E hoje lanço o Comida Daqui. A alimentação sempre foi um tema muito querido e presente na minha vida, mas sempre tive medo de falar sobre isso, sem ser uma autoridade no assunto. Mania de acadêmico, só me sinto confortável em falar sobre as coisas que consigo estudar a fundo.

No ano retrasado, eu tentei empreender com a Doce Nostalgia, e deu errado, por muitos motivos, de falta de planejamento a momento pessoal, e discordância do projeto com meus propósitos. No fundo, preciso admitir: os doces foram uma válvula de escape, pra vontade enorme que eu estava de trabalhar e realizar sem querer voltar pro meu trabalho antigo, em agência de publicidade. Foi um sonho confuso de uma pessoa que não estava no melhor de seu estado mental.

Mas a alimentação nunca deixou de ser um assunto muito presente na minha vida, e eu nunca deixei de estudar, e querer saber mais e mais. Alguns princípios, como o da alimentação mais natural, mais caseira e mais saudável, sempre estiveram inseridos na minha rotina.

Outro ponto a respeito da alimentação é esse caráter de afetividade que ela tem, da família junta, de todos reunidos à mesa, das tradições, receitas… Alimentação é comportamento puro, é cultura, e como boa pesquisadora e observadora, esse aspecto da alimentação é muito especial pra mim.

Por isso, resolvi juntar tudo nesse projeto de conteúdo, que começou como uma ideia comercial, de coletivo, ainda quando eu tocava a Doce Nostalgia, mas que agora se restringe aos meus relatos pessoais, pesquisas e compartilhamento de aprendizados. Vale lembrar sempre que sou cozinheira de casa, não tenho formação em gastronomia e não pretendo dar fórmulas nem ser autoridade em nada.

Acho importante frisar também que ao longo dos últimos dois anos, eu mudei bastante a minha visão de alimentação, e que a visão de hoje engloba muita coisa, de noção de realidade econômica e momento financeiro a praticidade ou tradição e cultura. Eu já fui a pessoa que tem a arrogância de dizer que “aqui em casa não entra caldo knorr”. Hoje eu dou preferência às opções mais saudáveis pra minha família, mas não menosprezo a realidade dos outros, e nem as minhas próprias limitações, sejam quais forem.

Então, o Comida Daqui tem de tudo, tem doce, tem salgado, tem apego aos bons ingredientes, sensatez com a lista de compras, tudo sem cagação de regra e com muito respeito às diversas possibilidades de todos, seja geográfica, cultural ou financeira. E eu estou muito feliz de botar esse projeto pra rodar.

Mas o que é o Comida Daqui?

Bom, como não deixa de ser um projeto com ares profissionais, eu planejei e estruturei o Comida Daqui, como faria com qualquer projeto de conteúdo de cliente. Por enquanto, o conteúdo será textual, mas com espaço para se abrir para vídeolog também. Planejei os temas e posts por blocos, ou temporadas ao longo do ano, para que seja um projeto mais factível pra mim, considerando minha disponibilidade de tempo e recursos para investir.

Em termos de editoria, eu trouxe três vertentes que considero importantes, e que gostaria de falar no que diz respeito a comida:

  1. Posts mais técnicos e embasados em pesquisas, leituras e aprendizados pessoais sobre o que norteia a minha visão de alimentação saudável hoje: sazonalidade e economia local, orgânicos e a indústria da alimentação.
  2. Crônicas com receita, porque eu gosto muito de contar historinhas, e associar a alimentação com a afetividade nossa do dia a dia.
  3. Uma vertente mais DIY, associando com o scrap, arte que eu amo tanto, sempre ensinando uma receitinha que possa ser transformada em presente, e claro, ensinando também a embalagem.

Para 2017, planejei duas temporadas de posts, uma mais longa e uma mais curta, para se adequar ao meu planejamento pessoal do ano, considerando que em dois meses tenho uma recém-nascida em casa. A mais longa, que começa com esse post de apresentação, terá todas as editorias e o tema será: ADAPTAÇÃO para um estilo de se alimentar mais caseiro e natural, sem radicalismos.

A pauta está super bacana, e acho que vão gostar. Eu já estou achando o máximo todo o planejamento e parte de pesquisa, o que estou aprendendo com esse projeto pessoal não está no gibi. Prova de que a gente sempre pode se aperfeiçoar. Mais pro fim do ano pensei em uma temporada mais curtinha, só de comida pra presente, mas isso discutimos mais pra frente.

No fim das contas, o Comida Daqui, ao mesmo tempo que simples, é ambicioso, pelo tanto que irá exigir de mim pra dar certo. Eu realmente espero conseguir manter a motivação e a frequência, pois estou apaixonada. Maaaas, vamos com cautela, uma semana por vez, porque a gente que tem filho sempre aprende que nosso tempo e rotina não são só nossos, e muita coisa pode acontecer, ainda mais com um recém-nascido em casa. #medo

Pra terminar, migrei o perfil de Instagram que usava para a Doce Nostalgia para @comidadaqui, pra quem quiser seguir. Vou separar um pouco a divulgação e as postagens, concentrando mais coisas do assunto comida no perfil paralelo, em vez de no @renatachecha.

Espero que seja bom, pra todos que acompanharem e pra mim também! O primeiro post, na próxima quarta, falará sobre como foi pra mim essa coisa da mudança, e da decisão de ter uma rotina de melhor alimentação, com alguns dados de pesquisas sobre hábitos de alimentação dos brasileiros. Até lá! :)