O fato de eu estar escrevendo um post de revisão mensal/trimestral no dia 17 do mês diz muito sobre os processos que tenho vivido. Estamos há dois meses e meio do fim do ano, e a minha sensação não poderia ser mais clichê: o ano ainda não acabou. Isso é o que dizem todos os posts de organização, foco, produtividade e derivados nesta época do ano. Ainda dá tempo.

Na verdade, ainda falta uma vida inteira. O tempo voa, mas é nosso amigo. Precisamos parar de ver o tempo como inimigo porque sim, ele cura tudo. As coisas acontecem, nem sempre da forma (e no tempo) que a gente quer, mas acontecem sim.

Esse último mês de Setembro foi um dos melhores meses do meu ano, porque eu senti que voltei a viver com certa plenitude. Consegui, depois de aceitar que passava por um processo depressivo, sentir que estava equilibrando minhas emoções. Voltei a sorrir. Estou aos poucos, conseguindo expressar sentimentos e cuidar da minha mente, do meu corpo, ainda que com tropeços e angústias que surgem vez ou outra.

Me sentir disposta de novo foi uma sensação incrível. Consegui olhar pra minha vida, pros meus projetos, e aceitar que algumas coisas não acontecerão agora, mas que não devo deixar de planejar, e executar dentro das minhas possibilidades. Me permitir parar não é mais sinônimo de estagnação e fracasso.

Na verdade, as maiores lições desse último mês/trimestre tem a ver com respeitar as pausas. Às vezes vem uma vontade de parar um pouco, mas a gente não costuma se permitir muito. Tem que ser produtivo o tempo todo, tem que trabalhar dia e noite, meio e fim de semana. Tem que realizar. Aliás, você tem quantos anos? Já comprou o carro, a casa? Já tem filho? O que você já “conseguiu”?

Aprendi que sempre estamos em tempo de retomar a vida, fazer novos planos, retomar de onde paramos. Uma das coisas que mais me afligiu quando descobri B2, foi o medo de ficar ultrapassada demais pra fazer um doutorado, algumas viagens, morar fora do país por um tempo. Hoje, com isso superado, vejo o quanto somos nós mesmos que colocamos os limites pras nossas realizações. Dá tempo, pô!

Só agora por exemplo, adquiri uma mentalidade mais consciente com relação a dinheiro, investimentos. Tenho 33 e ainda não comecei nem um plano de previdência. Mas sou grata por ter tido tempo de pensar nisso agora, e estar aos poucos colocando planos dessa área em ação.

Desse último mês, tenho duas pessoas às quais sou particularmente grata: meu marido, que foi paciente e sempre me incentiva a fazer as coisas que são boas pra mim. E também meu terapeuta, sem ele eu não teria saído do estado em que me encontrava.

E o que ainda dá tempo de fazer?

Eu tenho uma série de mapas mentais e documentos nas quais registro meus projetos e as coisas que eu quero realizar na minha vida. De vez em quando eu paro pra dar uma olhadinha, reorganizar e fazer uma faxininha nesses registros, e acho que 2016 foi o ano em que as coisas mais mudaram em períodos mais curtos de tempo.

Pra esse fim de ano, estou muito focada no meu bem-estar e em preparar todas as coisas pra chegada do B2. Quem acompanhou a gravidez do João, sabe que eu sofri horrores de dor nas costas. A danada já voltou a me azucrinar, e eu estou começando com atividades pra dar uma aliviada.

Com o João acho que exigi demais de mim fisicamente, e dessa vez quero ser mais light. Não sei como vou conseguir sendo que tenho trabalho, tenho a rotina de casa e um bebê pequeno pra cuidar, mas estou tentando. E meu bem-estar é prioridade, tanto físico como mental.

Sobre preparar a chegada do B2, não tem nada a ver com enxoval e essas coisas que aliás, são a última coisa com que se preocupar quando tem bebê chegando na área. Eu falo de despesas maiores, como parto, reservas financeiras para o período de licença e principalmente, toda a organização com uma rede de apoio para os 6 primeiros meses.

Eu tive um puerpério muito solitário com João, um pouco por alternativa e um pouco também por falta de opção. Não quero passar pelos mesmos perrengues, considerando que terei dois bebês em casa (um RN e outro entrando no terrible two, que beleza).

Existem outros projetos, e por mais que eu tenha pausado e errado bastante do ano passado pra cá, considero que realizei um tanto até agora. E sou muito grata por isso. Mas é assunto pra outro post, talvez um de balanço de fim de ano.

Só pra terminar, uma palavrinha sobre ferramentas. Eu nunca deixei de acreditar no poder da organização. Mesmo quando eu não consigo executar, manter as ideias organizadas e ter planos de ação pra cada projeto da minha vida me dá segurança, e me faz acreditar em mim, na minha capacidade de sonhar e de realizar também.

Eu uso muito de GTD, mas nem vou entrar no mérito da explicação. Recomendo aos que tenham interesse que visitem o site Vida Organizada, tem guias completos de GTD por lá. Outra ferramenta, que descobri esse ano, e que já considero essencial foi o Passion Planner. Baixei a versão gratuita, imprimi e comecei a usar em Março, mas fiquei tão fã que vou encomendar um bonitinho, já impresso e encadernado pro ano que vem.