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Meu último post no blog é de 03 de Fevereiro. Já estamos em Agosto. De lá pra cá tive mais filho, mudei de casa, voltei a trabalhar, comemorei 2 anos do João, fiz e refiz meus planos uma série de vezes. A minha vida aliás, tem sido bem essa: mudar tudo o tempo todo, principalmente a rotina.

Sendo muito honesta comigo mesma, tenho uma dificuldade imensa de manter os pensamentos positivos. Sempre acho que as coisas vão dar errado. Reclamo bastante. Queria conseguir ver o mundo um pouco mais cor de rosa. Mas esses defeitos não me tornam uma pessoa estagnada, de jeito nenhum.

Sempre tive uma força imensa. Garra. Determinação. Coragem nem tanto, mas quando não tem mais pra onde fugir eu me jogo nas minhas jornadas, com medo mesmo. Eu consigo muitas coisas, talvez mais por talento e garra do que por acreditar que eu seja de fato capaz.

Vez ou outra recebo umas mensagens que me fazem rir, de pessoas que acham que tudo pra mim é fácil, ou que é só eu chegar que uma porta se abre. Talvez esse meu jeito durão, meio arrogante, meio “toca pra frente” passe essa impressão, mas eu coleciono perrengues, como todo mundo.

Eu vejo a vida, cada vez mais, como um sistema de equilíbrios. Pra conseguir uma coisa x, existem sacrifícios, perdas, coisas a se fazer. É o que tenho feito ao longo desses últimos anos, com todas as minhas descobertas e reinvenções. Tá tudo ali, mas nem sempre visível aos outros.

Pra ter essa vida que tenho hoje, abri mão de uma carreira, de bom salário, de viagens, descobertas, experiências que eu provavelmente não poderei mais viver. Passo por dificuldades que talvez não precisaria estar passando. Se quero tempo pra cuidar de projetos que eu tanto almejo tocar, abdico de sono, passo menos tempo com as crianças. O tempo todo a gente tira de um lugar pra botar em outro.

Nunca me arrependi disso. Foi uma escolha, que eu sustento. Mas até mesmo as escolhas mais acertadas cansam a gente de vez em quando. Quem nunca questionou a própria capacidade? Quem nunca teve um daqueles dias de “quero sair correndo sem olhar pra trás”?

Então, não é uma reclamação, apesar de eu fazer isso um monte. Aliás, estou tentando me policiar pra ser menos reclamona. Felizmente, estou cercada de amigos que vivenciam a gratidão e todas essas atitudes positivas que eu queria praticar mais, e tenho aprendido de monte com eles.

Acho que esse post acaba sendo mais um lembrete pra mim mesma. De que quando as coisas pesarem um pouco, lembrar que foi cada escolha que eu fiz, certa ou errada, que me trouxe até aqui. Lembrar de que apesar dos meus perrengues, eu sou feliz, tenho uma família linda e cheia de saúde. Lembrar que estou viva e bem para poder ver João e Luiza crescendo, e depois de ter filhos, estar vivo adquire um novo significado.

E mais importante, lembrar que quem faz as coisas acontecerem sou eu. É essa determinação que todo mundo vê. Quando eu abdico de tudo que eu abdico, seja sono ou o que for, isso vai me trazer alguma coisa que eu queira, imediatamente, ou lá na frente.

Não se culpar, não desanimar, não abaixar a cabeça. Muitas coisas me tornam a pessoa que eu sou, mas de vez em quando é preciso lembrar do que deve prevalecer.

A foto é daqui.